Centro de Ciências do Mar premeia investigação sobre o ciclo reprodutivo das enguias

Centro de Ciências do Mar premeia investigação sobre o ciclo reprodutivo das enguias

Um projeto de investigação com vista à criação em ciclo completo de enguias em cativeiro foi um dos premiados na primeira edição do CCMAR-SPARC. Um prémio destinado a capacitar investigadores em início de carreira e a impulsionar os percursos profissionais. Por agora, a produção de enguias em aquacultura baseia-se na captura de jovens na natureza e não na sua reprodução em ambiente controlado. O projeto da investigadora Leonor Ferrão, vencedora do premio do CCMAR, visa encurtar caminhos que permitam conseguir fechar o ciclo reprodutivo.

Mário Antunes /

Fotos: Mário Antunes

Leonor Ferrão, doutorada em Produção e Tecnologia Animal pela Universitat Politècnica de València (Espanha), e investigadora do CCMAR, na Universidade do Algarve não tem dúvidas de quem estuda a enguia e o comportamento deste peixe sabe tratar-se de uma espécie fascinante.

O complexo ciclo de vida, as migrações entre água doce e salgada e a natureza da sua reprodução tornam-na num desafiante objeto de estudo.

A investigadora do CCMAR, no Aquagroup, trabalha para encontrar caminhos que num futuro próximo possibilitem a reprodução em cativeiro e em ciclo completo. Leonor Ferrão ganhou recentemente com esta investigação, o CCMAR SPARC, um programa para capacitar investigadores em início de carreira e impulsionar os seus percursos profissionais.

A iniciativa deste que é um dos principais centros de investigação europeus na área das ciências marinhas apoia o desenvolvimento de projetos inovadores, exploratórios e colaborativos. O programa "visa ajudar a gerar dados preliminares e a dar passos decisivos para garantir financiamentos externos de maior dimensão". É neste caminho que pode estar o trabalho de investigação com o qual Leonor Ferrão procura contornar uma limitação até agora, a de não se conseguir fechar o ciclo reprodutivo da enguia em cativeiro.

Entre os factores que tornam as enguias uma espécie mais difícil de se adaptar a um processo de aquacultura está a complexidade do fenómeno migratório que ocorre ao longo do ciclo de vida.

Em Portugal já existem viveiros, como na Figueira da Foz, que se dedicam à engorda e estudo da espécie, mas a dificuldade mantém-se: há a limitação de não conseguir fechar o ciclo reprodutivo.

A aquacultura da enguia depende da captura do meixão, a enguia bebé, e o resultado é uma enorme pressão sobre as populações juvenis. É todo um equilíbrio que está ameaçado. A exploração intensiva, sobretudo nesta fase do meixão, compromete a renovação das populações. Leonor ferrão acredita que a preservação da enguia exige medidas coordenadas de conservação, fiscalização rigorosa e maior compreensão científica do seu ciclo de vida.
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